terça-feira, 7 de junho de 2016

Das disparidades da vida

As pessoas deviam ter direitos. O direito essencial é o da oportunidade.  Oportunidade de crescer, desenvolver, amar, casar, ter filhos, uma carreira, ser ministro, astronauta, alcoólatra, ladrão, ter sucesso, se acabar no fracasso, e não que a pessoa faça tudo isso, mas todos deviam ter a oportunidade. O precoce corte de qualquer dessas opções é indubitavelmente uma sacanagem muito grande.
Eu não vou nem levantar a bandeira de que essas oportunidades deveriam ser dignas e iguais para todos, pois o cenário político, econômico, social não nos permite avançar tanto. Quero aqui me ater às coisas e ao mundo natural. Dispenso, para o momento, o princípio de que os homens deveriam amar os outros como a si mesmo, e não explorá-los.
Então partindo do pressuposto de que o mundo é o mundo e a vida é como ela é, acho que erraram, não sei bem quem, ao tirar as oportunidades básicas supra citadas de algumas pessoas. Terríveis coisas passam pela minha cabeça ao ver um estupro de 33 contra 1, a marginalização de duas crianças chegando ao final com um tiro no mínimo questionável ou um afogamento idiota em rio. 
Cada caso tem sua especificidade e devem ser debatido exaustivamente de forma ampla e consciente tendo todos os personagens sociais reconhecendo as responsabilidades que nos cabe.

Pessoalmente, me sinto honrada por estar viva e bem.  Quando mais nova, esses casos não ocorriam com tanta freqüência, ou eu não tinha conhecimento por não estarem próximos do meu castelinho. Mas ainda assim perdi um amigo muito precocemente. Por toda a minha vida, em momentos de extrema alegria ou tristeza pensava o que ele poderia estar fazendo estando em meu lugar. E fora alguns momentos de extrema fraqueza em que gostaria de trocar de lugar com esse amigo, em vários momentos tentei honrá-lo e viver da forma mais intensa possível. Honremos, então, os nosso destruídos pela bestialidade, desumanização, idiotice. Não pode ser em vão, então que seja para aprendermos.