terça-feira, 15 de setembro de 2015

Fé e a ciência do futebol

Fé e a ciência do futebol
Nasci menina. E em um sistema conservador, não era esperado ou  “permitido” minha participação em assuntos futebolísticos. Ao longo dos anos, sendo meu irmão mais próximo em idade do que minhas irmãs e meu pai mais próximo em discussões do intelecto, aproximei-me do assunto, que para muitas meninas da minha geração e cidade, um tabu.
Quando se deu o campeonato brasileiro de 99, vi minha paixão pelo Galo eclodir, na esperança geral da capital mineira de levar o título. O assunto não era mais tabu e aos poucos fui percebendo os lances, as genialidades, as imbecilidades e erros. Sim, erros. O futebol é feito prioritariamente de humanos. E erram por todos os lados. E mais humano do que isso, amam profundamente, apaixonadamente, loucamente por todos os lados
É claro que, sendo uma professora de língua estrangeira e entendendo a lingüística como ciência, tentei por diversas vezes racionalizar aquilo que me tomava do coração ao resto do corpo, aniquilando inclusive o pensamento. Há pouco tempo fui a uma palestra de neurociência, e o professor explicou com vasto conhecimento e detalhes que somos seres principalmente emocionais. Ele disse que o pensamento chega após a propagação das emoções, isto em termos vagos pois esse não é o assunto em questão.
O assunto em questão é o  Mauro Cézar Pereira no último Linha de Passe e São Victor.
Veja bem: eu sou mineira, atleticana. Como não ser devota de São Victor do Horto? Portanto na hora do pênalti, eu juntei minhas mãos, sofrendo em fé, cantei que Victor iria pegar. Eu tenho absoluta clareza de que contribui com aquele momento, mandando uma vibração atleticana para aquele que nos deu o maior livramento de todos, a ressurreição de que podemos ser campeões.
Pois bem! Ouvi com atenção os números e relatos do excelente jornalista no Linha de Passe na última segunda-feira, 14/09. Extrai de mim, toda minha paixão e dei voz ao meu lado científico e sereno. Compreendi o que foram os resultados de estudo aplicado como conseqüência de ações em prol de vencer uma partida, e até um campeonato. Tentei relevar as alegrias que o Pratto  me deu neste curto período de atuação, sem nem mesmo reclamar de adaptação ao futebol brasileiro, pensando que nos números, talvez ele poderia estar em pior fase que o Love.

Após considerar os pontos de fé versus os pontos científicos, fiquei com a premissa maior inicial: futebol é humano. A ciência não. A ciência tem que estar à disposição da humanidade. A humanidade é imprevisível. Agradeço o debate que me trouxe o jornalista, mas escolho o rumo da humanidade no futebol. Escolho porque eu acredito. E porque não pode ser baseado em números, porque não é frio é que o futebol é tão emocionante. Vamos ser humanos!

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