Fé e a ciência do futebol
Nasci menina. E em um sistema conservador, não era esperado
ou “permitido” minha participação em
assuntos futebolísticos. Ao longo dos anos, sendo meu irmão mais próximo em
idade do que minhas irmãs e meu pai mais próximo em discussões do intelecto, aproximei-me
do assunto, que para muitas meninas da minha geração e cidade, um tabu.
Quando se deu o campeonato brasileiro de 99, vi minha paixão
pelo Galo eclodir, na esperança geral da capital mineira de levar o título. O
assunto não era mais tabu e aos poucos fui percebendo os lances, as
genialidades, as imbecilidades e erros. Sim, erros. O futebol é feito
prioritariamente de humanos. E erram por todos os lados. E mais humano do que
isso, amam profundamente, apaixonadamente, loucamente por todos os lados
É claro que, sendo uma professora de língua estrangeira e
entendendo a lingüística como ciência, tentei por diversas vezes racionalizar
aquilo que me tomava do coração ao resto do corpo, aniquilando inclusive o
pensamento. Há pouco tempo fui a uma palestra de neurociência, e o professor
explicou com vasto conhecimento e detalhes que somos seres principalmente
emocionais. Ele disse que o pensamento chega após a propagação das emoções,
isto em termos vagos pois esse não é o assunto em questão.
O assunto em questão é o Mauro Cézar Pereira no último Linha de Passe e
São Victor.
Veja bem: eu sou mineira, atleticana. Como não ser devota de
São Victor do Horto? Portanto na hora do pênalti, eu juntei minhas mãos,
sofrendo em fé, cantei que Victor iria pegar. Eu tenho absoluta clareza de que
contribui com aquele momento, mandando uma vibração atleticana para aquele que
nos deu o maior livramento de todos, a ressurreição de que podemos ser
campeões.
Pois bem! Ouvi com atenção os números e relatos do excelente
jornalista no Linha de Passe na última segunda-feira, 14/09. Extrai de mim,
toda minha paixão e dei voz ao meu lado científico e sereno. Compreendi o que
foram os resultados de estudo aplicado como conseqüência de ações em prol de
vencer uma partida, e até um campeonato. Tentei relevar as alegrias que o
Pratto me deu neste curto período de
atuação, sem nem mesmo reclamar de adaptação ao futebol brasileiro, pensando
que nos números, talvez ele poderia estar em pior fase que o Love.
Após considerar os pontos de fé versus os pontos
científicos, fiquei com a premissa maior inicial: futebol é humano. A ciência
não. A ciência tem que estar à disposição da humanidade. A humanidade é
imprevisível. Agradeço o debate que me trouxe o jornalista, mas escolho o rumo
da humanidade no futebol. Escolho porque eu acredito. E porque não pode ser
baseado em números, porque não é frio é que o futebol é tão emocionante. Vamos
ser humanos!
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